ARARA AZUL DE LEAR – UMA ESPÉCIE RARA DA CAATINGA BAIANA ”AMEAÇADA DE EXTINÇÃO”

Por Maria de Sousa

Foto: Wikipédia

“Chegará o tempo em que o homem conhecerá o íntimo de um animal e nesse dia todo crime contra um animal será um crime contra a humanidade” – Leonardo da Vinci.

ORIGEM DO NOME

O Zoólogo francês, Charles Lucien Bonaparte, em 1856, descreveu a espécie com o nome de Anodorhynchus leari a partir de um exemplar taxidermizado presente no Museu de Paris e de um indivíduo no Zoológico de Anvers.
O nome é uma homenagem ao pintor e escritor inglês, Edward Lear, que pintou um exemplar da Arara Azul de Lear, em uma prancha de seu livro Illustrations of the Family of the Psittacidae, or Parrots (1828).

ARARA AZUL DE LEAR

Arara Azul de Lear (nome científico: Anodorhynchus leari), uma espécie exclusiva da Caatinga – Brasil- encontrada na regão nordeste do estado da Bahia, principalmente, na região chamada de Raso da Catarina (eco região localizada na parte centro-leste do bioma caatinga).

RASO DA CATARINA

Indivíduos no Raso da Catarina – Foto: Wikipédia

A espécie era conhecida através da pintura mencionada pelo escritor Edward Lear, no entanto, não se conhecia de qual país da América do Sul era originária a Arara azul de Lear. Nessa procura, surge a figura do ornitólogo (aquele que se dedica ao estudo das aves) e naturalista alemão, Helmut Sick (naturalizado brasileiro em 1952). Então, em 1978, ele descobre a ocorrência da Arara Azul de Lear: caatinga baiana, na região do Raso da Catarina.
A espécie tem porte médio e cada indivídua mede entre 70 a 75 centímetros. Tem muita semelhança em coloração e tamanho à ara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus), mas as principais diferenças estão na plumagem do dorso, de cor azul-cobalto na arara azul de lear e azul mais pálido e esverdeado na arara-azul glaucus, que apresenta também tons de cinza na cabeça e no pescoço, asas e cauda possuem também coloração azul-cobalto e o ventre azul mais pálido. Possui grande bico negro e a plumagem da cabeça e do pescoço é azul-esverdeada. O anel perioftálmico é amarelo-claro, e na base da mandíbula apresenta uma área nua de formato triangular e coloração amarelo-claro. Procria nos buracos deixados pelos enormes paredões de arenito existente na região onde se localiza e sua alimentação depende, principalmente, dos frutos de uma palmeira conhecida na Caatinga, de nome “licuri”. Quando ausente a referida palmeira, elas, em bando, voam para lugares distantes e acabam sumindo ou sendo objeto de caçadores de aves raras para o tráfico ilegal das mesmas.
Os estudos e pesquisa foram ampliados pelo ornitólogo alemão, numa verdadeira dedicação e luta pela preservação dessa rara espécie da Caatinga baiana, deixando para todos os brasileiros, um rico legado de informações sobre a Arara Azul de Lear, até então, desconhecidos.

Repórter Eco TV Cultura – Wikipidedia

“Existem dois sítios de nidificação e dormitório conhecidos: um em Canudos, na região conhecida como Toca Velha, numa Reserva Particular do Patrimônio Natural de propriedade da Fundação Biodiversitas e outro em Jeremoabo, ao sul da Estação Ecológica do Raso da Catarina, unidade de conservação federal administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade” (in Wikipédia).
“Sua distribuição geográfica abrange os municípios de Jeremoabo e Canudos, onde as araras pernoitam e utilizam as cavidades existentes nos paredões de arenito conhecidos como Toca Velha e Serra Branca para se reproduzir. As aves saem da sua área de repouso, ao amanhecer partindo para as áreas de alimentação distribuídas nos municípios de Paulo Afonso, Santa Brígida, Euclides da Cunha, Monte Santo, Sento Sé e Campo Formoso. Estes deslocamentos podem implicar em mais de 60 km para os animais chegarem ao alimento. No final da tarde, podem ser vistos bandos chegando de diversas direções, vocalizando e sobrevoando o paredão até acomodarem-se nele para dormir”

(https://www.icmbio.gov.br/cemave/pesquisa-e-monitoramento/arara-azul-de-lear.html).
Vide fotos abaixo:

Foto: Wikipédia
Par de araras-azuis-de-lear na Estação Biológica de Canudos, na Bahia.

Arara Azul de Lear está ameacada de extinção, em decorrência, principalmente, do tráfico ilegal de animais silvestres e da destruição do habitat, que contribui para uma redução drástica do número de indivíduos, gerando uma grave ameaça ao equilibrio ambiental.
Trabalhos em defesa da espécie foram realizados, através de Planos que englobam varias ações de conservação, pesquisa, proteção e educação ambiental, como: o Plano de Ação Nacional para a Conservação da Arara-Azul-de-Lear: Anodorhynchus leari, sendo o monitoramento da espécie realizada por um dos centro do Centros Nacionais de Pesquisa e Conservação geridos pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), contando com a parceria de diversas instituições e pessoas (informações do site: https://www.icmbio.gov.br/cemave/quem-somos.html).
A propósito, vem sendo mostrado, por pesquisa recente que, tanto a arara azul (Anodorhynchus hyacinthinus) quanto à arara-azul de lear (Anodorhynchus leari), colaboram para espalhar as sementes de 18 espécies de plantas no Brasil.
Antes, essas araras eram consideradas exclusivamente como antagonistas das plantas. No entanto, o estudo afirma que esse papel de aparente predador de sementes pode, em última análise, representar uma relação mutualista entre as plantas e essas aves. Isso acontece quando “uma proporção funcionalmente relevante das sementes é recrutada com sucesso nos eventos de dispersão das araras, como mostramos”, afirma o artigo (in .mongabay.com/2020/03/arara-azul-esta-ajudando-a-regenerar-a-vegetacao-no-brasil).
Recentemente, a Arara Azul de Lear, foi considerada a “7ª Maravilha da Natureza”. Inegável sua expetacular beleza e importância na Natureza! Assim, torna-se imperativo a proteção a todas as espécies da Natureza, principalmente aquelas ameaçadas ou em perigo de extinção, bem como a preservação dos sitios e áreas de
conservação e promovendo ações de educação ambiental, para evitar as queimadas, os eventuais incêndios e combar o tráfico ilegal de animais silvestres.
Nesse entendimento, vale ressaltar, o que diz a Lei nº 9605/98 (Lei dos Crimes Ambientais), no seu Capítulo V – Dos Crimes contra o Meio Ambiente – Seção I:
“Art. 29. Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida:
Pena – detenção de seis meses a um ano, e multa.
§ 1º Incorre nas mesmas penas:
I – quem impede a procriação da fauna, sem licença, autorização ou em desacordo com a obtida;
§ 4º A pena é aumentada de metade, se o crime é praticado:
I – contra espécie rara ou considerada ameaçada de extinção, ainda que somente no local da infração…..”.
O trabalho de conservação e preservação da Arara Azul de Lear, é dever de todos, poder público e sociedade que, conjuntamente, objetivando a preservação do bioma Caatinga e suas espécies (vegetal e animal), contribuindo para um Meio Ambiente mais saudável e equilibrado para as presentes e futuras gerações!

Foto: Wikipédia
Ninho de arara-azul-de-lear Buraco nos paredões de arenito-calcário

Diante do exposto, deixo, para reflexão, uma estrofe do lindíssimo poema “Canção do Exílio”, de autoria do brilhante poeta brasileiro, Gonçalves Dias:

“Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores……”

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Arara-azul-de-lear, acesso em 7.5.2020;
https://www.icmbio.gov.br/portal/ultimas-noticias/4-destaques/6693-cemave-finaliza-censo-2014-da-arara-azul-de-lear,, acesso em 19.6.2020;
https://brasil.mongabay.com/2020/03/arara-azul-esta-ajudando-a-regenerar-a-vegetacao-no-brasil/,, acesso em 19.6.2020;
https://www.icmbio.gov.br/cemave/pesquisa-e-monitoramento/arara-azul-de-lear.html, acesso em 26.7.2020;
Fotos: Wikipédia;
“Canção do Exilio”, Dias, Gonçalves;
“Canção do Exilio”, Dias, Gonçalves.

0 comentário em “ARARA AZUL DE LEAR – UMA ESPÉCIE RARA DA CAATINGA BAIANA ”AMEAÇADA DE EXTINÇÃO””

    1. Bom saber que projetos de preservação da arara azul de Lear foram um sucesso, mas precisamos estar atentos, o “desministro” do meio ambiente não acredita na vida, vários animais voltaram a correr perigo de extinção, inclusive nós…Vigiar sempre!!!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima